O jornalista Jacson Damasceno entrevistou agora há pouco, por telefone, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do RN (Sintro/RN), Nastagnan Batista, depois de mais uma reunião que poderia ter acabado com a greve dos ônibus, e não acabou. Segundo Nastagnan, a greve continua firme e forte.
Mais que isso: na entrevista comenta o pedido de prisão feito contra ele pelo Ministério Público e diz que a medida vai acirrar ainda mais os ânimos. Nastagnan diz ainda que amanhã não vai ter nenhum ônibus de Natal rodando na cidade. E faz críticas à classe patronal. Leia abaixo a entrevista completa.
Boa noite, Nastagnan, alguma mudança após a reunião? Ou a greve continua amanhã?
Nastagnan Batista – Quando a notificação chegou para que a gente comparecesse à Procuradoria, já tinha acontecido a Assembléia, então já tinha sido decidido pelos trabalhadores que vamos continuar a paralisação amanhã.
Como você tomou conhecimento do pedido de mandado de prisão contra você? E como você vê essa possibilidade?
Lá na Procuradoria a gente foi surpreendido com a notícia do pedido da minha prisão pelo Ministério Público, né? A gente não tem como porque a proposta da patronal é de 7% no salário, no vale-alimentação e ainda estratificado esse vale. E gerou ainda mais indignação na categoria essa notícia que o presidente do Sindicato vai ser preso, mais cinqüenta mil reais de multa e a conta já está até bloqueada. Isso, em vez de diminuir o conflito, apaziguar os ânimos, piorou a situação e a categoria vai ficar mais irritada ainda.
Você então está dizendo que o pedido de prisão vai pode ter conseqüências…
Com certeza. Se tinha uma possibilidade de a greve acabar, amanhã é remota. A partir de amanhã os ânimos vão ficar mais acirrados. Mas também tem o dia todinho de amanhã. Que os empresários sentem e conversem com a gente, pra ver se a gente acha uma alternativa pra esta situação.
E por que vocês decidiram não cumprir a decisão judicial sobre a frota de emergência?
É a categoria. A gente colocou através de nosso advogado que decisão judicial é pra cumprir, mas os trabalhadores dizem que não, não vão cumprir. Eles alegam que no ano passado a gente ficou um ano esperando o julgamento do Tribunal e quando saiu e os empresários não cumpriram. Que é aquela questão do vale unificado, que a gente tanto luta. Então os empresário s não aceitaram o julgamento do Tribunal Regional do Trabalho. Eles entraram foi com um recurso em Brasília pra tirar o vale que já é uma miséria pro trabalhador. Aí os trabalhadores querem dar esse troco aos empresários, não é por desrespeitar a justiça.É o troco à classe empresarial, que não tem o menor compromisso com o trabalhador. Pra você ter uma idéia, tem uma empresa que para os colegas que trabalham à noite, entre sete da noite e quatro horas da manhã, ela dava a janta. Agora ela tirou a janta dos companheiros. Tudo isso. Aí Augusto Maranhão vai pra imprensa hostilizar os trabalhadores rodoviários, como é do conhecimento de todos. O diretor do Seturn. Isso gerou ainda mais a revolta dos trabalhadores, por causa da colocação deles. Chamando os trabalhadores de vândalos, de bandidos. Os trabalhadores estão doentes com isso.
E os casos de vandalismo e apedrejamentos? Estão relacionados ao sindicato?
Negativo. Não tem nada disso. Nós não vamos sair das garagens, mas não vai ter nenhum tipo de agressão, de vandalismo por parte da categoria e nem da parte da direção do sindicato.
Você pode estimar o percentual da frota que vai estar na rua amanhã?
Alguns ônibus do intermunicipal vão rodar. Do urbano é zero por cento. Porque os ônibus das intermunicipais, como Trampolim, Nordeste, Jardinense, são empresas mais gabaritadas e mesmo quase quebradas, deram o aumento que o tribunal deu e ainda unificaram os vale-alimentação dos trabalhadores. Então os trabalhadores lá sabem que estão garantidos. Mas aqui é diferente. O sistema é mais robusto, o que vende mais, mas é o mais intransigente.
Fonte: Blog de Jacson Damasceno
Nenhum comentário:
Postar um comentário