A aprovação em caráter parcial das contas do ex-prefeito Carlos Eduardo Alves (PDT) pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) levou à Câmara Municipal de Vereadores a deliberar a matéria.
Após análise da CCJ, presidida por Ney Lopes Júnior (DEM) e da qual fazem parte Bispo Francisco de Assis (PSB), Chagas Catarino (PP) e Assis Oliveira (PR), o texto vai para comissão de Finanças e depois segue para plenário para votação. Caso dois terços dos vereadores (14) reprovem as contas, Carlos Eduardo Alves torna-se inelegível.
Para o vereador Enildo Alves (DEM), a Câmara não pode ignorar “erros insanáveis” praticados pelo ex-prefeito de Natal. “À luz da LRF e da legislação eleitoral, ele cometeu irregularidades gravíssimas, e que o TCE não levou em conta no último ano de sua gestão, um ano eleitoral”, opinou o líder da prefeita Micarla de Sousa (PV) na Casa.
“Eu não questiono se o servidor tinha direito ou não. O que não podia ter acontecido era a concessão de incorporações nos 180 dias que antecedem o final do mandato. Foram mais de 3 mil atos administrativos ilegais dando benefícios. Você não acha que isso é uso da máquina eleitoral?”, criticou Enildo Alves.
Outra irregularidade denunciada pelo vereador, que não constou de análise do TCE, foi a operação de crédito com antecipação de receita por meio da venda da conta única do Município por R$ 40 milhões ao Banco do Brasil.
“Não houve licitação e não se apresentou plano de aplicação de recursos à Câmara de Vereadores. Também não havia rubrica orçamentária para aplicação dos recursos”, relata Enildo Alves.
Conforme a Lei de Responsabilidade Fiscal, em seu artigo 38, operações de crédito no último ano de mandato não podem ser feitas por gestor público.
A expectativa é que a tramitação do parecer do TCE nas duas comissões leve duas semanas a partir de segunda-feira. A possível reprovação das contas do ex-prefeito vai além da esfera administrativa. Seu impedimento em disputar eleições causará um novo arranjo na configuração de candidaturas.
Carlos Eduardo Alves não atendeu as chamadas da reportagem para comentar o caso.
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