A mensagem anual da prefeita Micarla de Sousa (PV), lida ontem, na Câmara Municipal de Natal (CMN), foi mais para exaltar o que chamou de "missão cumprida" e menos para esclarecer as dificuldades financeiras e de estrutura em geral. A chefe do Executivo natalense afirmou que é dona da política de valorização dos servidores (e educacional) mais importante da história da cidade. Em detrimento às críticas, traduzidas nos baixos índices de aprovação que revelam as pesquisas de opinião pública, exclamou estar prestando contas acerca de um "rico acervo de projetos, ações e iniciativas".
Marcelo Barroso

Com o plenário lotado de servidores municipais, Micarla de Sousa lê mensagem anual na Câmara
"Neste item (funcionalismo) nunca uma gestão investiu tanto", disse ela ao rememorar a implantação do Plano de Cargos, Carreiras e Vencimentos (PCCV) do servidores, ocorrido ao passado. Segundo ela, mais de R$ 90 milhões foram investidos para colocar em prática o PCCV. Neste caso cabe um parêntese: matéria publicada ontem pela TRIBUNA DO NORTE revela uma situação preocupante do município quanto aos limites implantados pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Esse foi, aliás, um dos raros momentos do discurso onde a prefeita de Natal teceu críticas aos adversários. "Os que passaram até agora não tiveram vontade política para fazer isso, mas não terão coragem de desfazer esses benefícios", argumentou ela, que emendou o tema ao da Educação, ao seu ver, uma das pérolas da atual gestão.
Ela assinalou que o investimento na área educacional foi recorde na administração pevista, mais precisamente de 29% da receita no primeiro ano; 21% no segundo; e 26,8% no terceiro. Micarla de Sousa exaltou as 54 novas creches infantis (CMEIs) implantadas desde 2009, quando assumiu o governo municipal. Ela disse também que o número de crianças atendidas passou de duas mil para cinquenta mil e que o Proeduc (Programa de Incentivo à Educação Universitária) da Prefeitura de Natal rende frutos. Nem ao falar da área de saúde, um dos setores mais criticados de sua gestão, Micarla de Sousa poupou auto-elogios. Ela se referiu neste caso às Unidades de Pronto-Atendimento (UPA'S), a da Zona Norte já em funcionamento, e a da Zona Oeste, perto de ser inaugurada. "Atenderemos perto de 40 mil pacientes por mês. E saber que tudo começou na nossa gestão".
Sobre o Parque da Cidade ela garantiu que a prefeitura investirá R$ 3 milhões para por a estrutura em funcionamento. "Será o parque da Copa". O mundial de futebol do qual Natal será sede foi um dos assuntos mais comemorados pela prefeita. Ela voltou a agradecer o apoio da presidenta Dilma Rousseff (PT), mas ignorou possíveis parcerias com o Governo do Estado. Recém convertida à religião evangélica, a pevista citou um dos trechos da Bíblia: "o senhor é minha luz e minha salvação, sendo assim, a quem temerei?"
GALERIAS
A prefeita Micarla de Sousa chegou à CMN por volta das 8h30, horário antes do previsto para início da sessão plenária. A partir das 7h, porém, simpatizantes da gestão municipal já lotavam as galerias do legislativo, segundo alguns, para evitar que o grupo de ativistas contrários à administração (entre eles membros remanescentes do coletivo Fora Micarla), que se mobilizavam via internet, pudessem entoar gritos de guerra e constranger a chefe do Executivo. A maior parte da plateia que ouviu Micarla de Sousa ler a mensagem advém do
gruupo de cargos comissionados da Prefeitura, que foram exonerados e aguardam uma nova nomeação. A reportagem conversou com alguns deles, mas ninguém quis se identificar. Durante o tempo em que esteve na Câmara e também ao deixar o local, a prefeita de Natal foi praticamente ovacionada pelos presentes. Do lado de fora, no entanto, impedidos de entrar sob o pretexto de lotação máxima do prédio do legislativo, populares criticavam o que chamavam de "blindagem e estratégia da assessoria da prefeita".
Polícia entra em confronto com pessoal do 'Fora Micarla'
A Polícia Militar entrou em confronto com manifestantes do movimento "Fora Micarla", que ontem à tarde protestaram em frente ao Palácio Frei Miguelinho, sede da Câmara Municipal, primeiro contra os vereadores e ex-vereadores que recorreram ao Tribunal de Justiça da sentença condenatória de primeiro grau pelo envolvimento na "Operação Impacto", que investigou o recebimento de propina do setor imobiliário durante a votação do Plano Diretor de Natal em 2007.
Um dos integrantes do movimento, o estudante Davison Moura disse que o ato público estava mesmo previsto para o meio da tarde, no mesmo instante em que a prefeita faria a leitura da mensagem anual, a última do atual mandato, na Câmara Municipal. Mas, segundo ele, a prefeita terminou ludibriando a todos, antecipando a leitura da mensagem para o período da manhã.
Moura disse que os manifestantes quando chegaram, na rua Campos Sales com a avenida Jundiaí, não havia nenhuma guarnição da PM. De repente, segundo ele, chegou dois guardas empurrando um estudante que pintava uma faixa de pano para ser colocada no muro do prédio da Câmara.
Para Moura, a PM entendeu que o estudante estaria "depredando o patrimônio público", alegando que estava pichando a faixa de pedestre em frente ao prédio da Câmara, entendimento confirmado pelo tenente Cláudio Luciano. Pelo menos 15 viaturas da Polícia Militar, inclusive uma do BPChoque chegou ao local da manifestação dos estudantes, que receberam os guardas com "gritos de ordem", afirmando que a manifestação era pacífica e que eles ao invés de prestarem segurança "estavam ali para oprimir" à livre manifestação dos estudantes e sindicalistas.
Apesar do confronto, o tenente Claudio Luciano diz que a situação foi contornada, inclusive com a presença do vereador Raniere Barbosa que apaziguou os ânimos. "Ninguém foi preso e está tudo em paz", dizia o militar.
Fafá admite conversas sobre renúncia
Edilson Damasceno - Jornal de Fato
A leitura da mensagem anual, feita pela prefeita Fafá Rosado (DEM) ontem na Câmara Municipal, se pautou em assuntos administrativos e não houve nenhuma citação de cunho político. É que havia a expectativa de que a prefeita pudesse apresentar indícios relacionados à renúncia, seguindo um projeto que beneficiaria a vice-prefeita Ruth Ciarlini (DEM) e a colocaria na condição de candidata à reeleição. Sobre temas políticos, Fafá falou antes da cerimônia com a imprensa e voltou a admitir que o seu grupo político tem conversado sobre essa possibilidade. "Estamos conversando no nosso grupo e ouvindo a população. Tomaremos a decisão que for melhor para a população, seguindo a decisão de acordo com o desejo e a vontade do povo", disse.
Sobre a renúncia e os critérios que a levariam a tomar essa decisão, a prefeita foi enfática: "não tenho angústia de tomar essa posição. A minha preocupação maior é servir à população, pensando no município". Apesar de ter evitado o tema, Fafá Rosado não teve como escapar do clima político. Ela chegou na Câmara Municipal na companhia da vice-prefeita Ruth Ciarlini e do secretário Alex Moacir (PMDB). Os dois são apontados como nomes do sistema governista à composição da chapa.
Na entrada de Fafá no plenário da Câmara, o clima político ficou mais evidente. Ela foi bastante aplaudida e um popular chegou a gritar: "Fafá, daqui a quatro anos você volta". Bem no momento em que a vice-prefeita Ruth Ciarlini foi convidada para sentar ao lado da prefeita, em uma clara demonstração de que o eleitor simpático ao grupo governista já absorveu a ideia da renúncia.
No discurso, Fafá Rosado fez questão de ressaltar Ruth Ciarlini, a quem agradeceu: "minha companheira de administração e colaboradora valorosa, vice-prefeita Ruth Ciarlini, com a qual temos empreendido toda esta obra. Meus sinceros agradecimentos."
A vice-prefeita Ruth Ciarlini tem adotado uma postura de quem se apresentará como nome do grupo governista à sucessão da prefeita Fafá Rosado. Ela tem evitado comentar sobre a renúncia da prefeita e disse que não chegou a ler entrevista (publicada recentemente no jornal Tribuna do Norte e na qual a prefeita falou sobre a possibilidade de renúncia).
"Não estou a par dessa entrevista", afirmou a vice-prefeita ao ser perguntada sobre o fato. Ela acrescentou que o projeto do grupo governista é "trabalhar por Mossoró com amor e vontade de ver nossa cidade cada vez mais para frente."
Nenhum comentário:
Postar um comentário